Criptos e o meio-ambiente


Para quem não conhece muito do assunto pode não imaginar o quanto o mercado de criptomoedas está prejudicando o meio ambiente. Antes de esclarecer o porquê disso, explicaremos alguns conceitos que justificam essa nossa afirmação.

O Sistema Financeiro Centralizado Atual

Historicamente, cada país determina alguma moeda oficial de circulação na própria nação, conhecido como dinheiro local. No Brasil, por exemplo, a Casa da Moeda imprime dinheiro, dando valor a esses papéis impressos. Há todo um processo por figuras e sinais que a tornem original. Com a forte presença da economia americana no mundo, cada moeda de quase todas as nações é comparada ao dólar, que também é emitido pelo Banco da Reserva Federal dos EUA. O valor de cada moeda é dado não pelo papel em si circulado, mas ao valor atual das transações de serviços de liquidez gerado por elas mesmas.

O Surgimento das Criptomoedas

No século XXI, surgiu nos últimos anos, uma nova maneira de lidar com dinheiro. Com o avanço tecnológico incontrolável levou inclusive ao surgimento de um sistema financeiro descentralizado, ou seja, que não é comandado pelos bancos centrais de cada país. Desde a crise 1929, cujo momento ensinou às nações da importância de um controle pelo Estado da moeda, não havia um sistema assim. Essa descentralização levou à dispersão e distribuição do Estado, oferecendo a muitas pessoas possibilidade de ser um dos que processam o pagamento da rede de moedas “alternativas”, cujo nome é conhecido como “Criptomoedas” ou “moedas digitais”. A mais famosa delas é o Bitcoin, cuja origem foi uma resposta à crise do subprime de 2008.

As criptomoedas, em sua maioria, utilizam um sistema chamado “Blockchain”, que consiste em guardar informações em grupos (blocos) que recebem um registro, havendo interligações que formam linhas contínuas de blocos (como uma corrente); aí se dá o nome “block” (de bloco no inglês) e “chain” (corrente). Esse “Blockchain” é, portanto, um banco de dados em que há as transações de criptomoedas.

Para gerar criptomoedas, ao contrário de papéis-moedas, utiliza-se basicamente computadores e outros dispositivos digitais que solucionam problemas matemáticos de transações de criptos. Quem resolver primeiramente o tal “quebra-cabeça” matemático é gratificado com criptomoedas. Esse procedimento é conhecido como “Mineração”, sendo registrado e adicionado ao Blockchain. Assim, esse sistema de blocos é o que mantêm a descentralização de mercado financeiro e digital. Toda pessoa pode se candidatar a minerar, desde que tenha os equipamentos adequados para isso. Consequentemente, por ter que solucionar complexos códigos criptografados, computadores gastam muita energia, elevando muito os custos da mineração de criptos.

Como Minerar Criptomoedas

São necessários bons computadores para minerar criptomoedas. A capacidade de ser efetivo ou não dependerá da velocidade de processamento do dispositivo na solução dos enigmas matemáticos. O processador é como se fosse o cérebro ou a parte central de um computador, executando as transações da máquina. Tecnicamente é conhecido como “CPU”, Central Processing Unit no inglês, o qual gerencia a velocidade do sistema e quantos programas funcionam ao mesmo tempo. Caso o usuário exigir demais de seu computador (devido ao tempo de uso ou pelo fato de a máquina não ter peças adequadas para minerar criptos por muito tempo) pode haver superaquecimento do processador.

Para viabilizar a mineração de criptos, é necessária uma energia barata e, de preferência, um local mais frio, a fim de que as máquinas não superaqueçam. Por causa desses dois pontos, é que China, Estados Unidos e Rússia são considerados como principais países nesse mercado.

Com o avanço da tecnologia, muitas melhorias na eficiência energética de computadores têm sido implementadas e muitas delas têm sido motivadas pelo interesse na mineração de criptomoedas. Apesar disso, o consumo continua alto, pois com o aumento do número de pessoas minerando criptos, problemas matemáticos ainda maiores tem surgido devido à alta concorrência.

Porque o Alto Consumo de Energia Causa Problemas à Natureza?

A geração de energia traz problemas ao meio ambiente. A humanidade tem desenvolvido maneiras diferentes de como ofertar e captar energia para a população, no entanto cada tipo de processo tem suas vantagens e desvantagens, afetando, portanto, a natureza. Listaremos abaixo alguns dos tipos de usinas e seus efeitos negativos:

  • Hidroelétrica – sistema que consiste na geração elétrica pela movimentação da água, gera um impacto ambiental por ter que represar rios;
  • Termoelétrica a carvão – produção de energia através da queima de carvão, o que leva a emissão de gases de efeito estufa e poluição do ar, levando ao fenômeno chamado “chuva ácida”;
  • Nuclear – energia captada por reação nuclear, a qual produz lixo radioativo e um risco de acidente capaz de trazer graves efeitos aos seres vivos em geral;

Além dos três processos acima há a eólica, solar e fotovoltaica; cujos tipo de usina são menos prejudiciais à natureza.

Criptomoedas e o Problema Ambiental

Portanto, tendo em vista ao alto consumo energético de computadores podemos afirmar que o mercado de criptomoedas é um problema para o meio ambiente. Além disso, há também a questão do descarte de eletrônicos, pois com aumento de dispositivos minerando criptos, acelera o esgotamento da vida útil de peças de computadores e celulares, tendo que descartá-las. Caso o lixo eletrônico não tenha um destino correto, componentes químicos podem ser liberados em rios e terras, prejudicando ainda mais a natureza.

Vale a Pena Minerar Criptos no Brasil?

O Brasil é uma nação em que a energia não é tão barata e isso é um fator dominante para atrair o mercado de mineração de criptos (sim, isso é um mercado hoje). Em média, o consumidor brasileiro paga R$ 0,75 para cada kWh. Com isso, ao minerar 24h por dia em um computador, o gasto por aqui não será menor que R$ 350,00 mensais, considerando um bom computador. Ou seja, não é vantajoso esse procedimento em nosso país.

Resumindo, o problema das criptomoedas consiste no altíssimo gasto de energia gasto por computadores resolverem enigmas para gerarem mais moedas digitais na conta de alguém. Espero que tenham gostado do artigo e que contribua para uma conscientização maior sobre o tema. Não somos contra criptomoedas, porém esse assunto precisar ser mais popular, a fim de a humanidade buscar alternativas e soluções que não agridam tanto a natureza.

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